O que mais de 80 projetos entregues em 20 empresas brasileiras mostram sobre o que as empresas pedem, quanto tempo leva, o que atrasa e o que sobrevive depois da entrega. Números agregados e anonimizados, da operação real de uma consultoria — não de pesquisa de mercado.
Quase tudo o que se publica sobre Power Platform no Brasil vem da Microsoft ou de pesquisa global. Falta o dado de quem implanta: quanto tempo um aplicativo leva de verdade para sair do kickoff ao uso, o que trava um projeto e o que acontece seis meses depois da entrega. Este radar é a leitura agregada da operação da Platform Pro — mais de 80 projetos em 20 empresas, de 2018 a 2026.
Os percentuais são aproximações da operação, não resultado de amostragem estatística, e os prazos são faixas típicas, não garantia contratual. Nenhum cliente é identificável: tudo entra agregado.
Quando uma empresa procura consultoria de Power Platform, o pedido quase nunca chega com o nome da ferramenta. Chega como processo: uma planilha que não aguenta mais, uma aprovação perdida no e-mail, um relatório montado à mão. Traduzido em entrega, o mix fica assim.
O dado que mais muda ano a ano é o último. Copilot e Copilot Studio saíram de curiosidade para 12% das entregas — e quase sempre chegam depois de um projeto de organização de dados, não antes.
A primeira decisão técnica de todo projeto é onde o dado vai ficar. Ela define licença, limite de volume e quão longe a solução vai conseguir crescer.
Vale sublinhar o 28%: em quase três de cada quatro projetos, o que já vinha no Microsoft 365 deu conta. A licença premium não é pré-requisito para começar — é consequência de um requisito específico, normalmente integração ou volume.
Faixas típicas do kickoff até o uso real pelas pessoas — não até a demonstração, que acontece bem antes.
Esses prazos só se sustentam com escopo fechado e com alguém do lado do cliente disponível para validar. Quando um dos dois falta, o projeto não fica mais lento por causa da tecnologia — fica parado.
E a causa quase nunca está na plataforma. Em ordem de frequência, o que trava é:
Consequência prática: a parte mais valiosa de um cronograma de Power Platform não é estimar desenvolvimento, é nomear quem libera acesso e quem homologa, com data.
Seis em cada dez projetos nasceram de uma planilha que virou sistema sem querer — normalmente com várias pessoas editando, histórico perdido e uma pessoa que é a única que entende as fórmulas. O resto se divide entre processo que vivia no e-mail, formulário em papel e sistema legado que ninguém quer mais manter.
Este é o bloco que quase ninguém publica, porque é onde a maioria dos projetos de low-code falha no mercado: entregar é fácil, continuar em uso é que é difícil.
O que separa os que seguem em uso dos que morrem é consistente: homologação feita por quem usa (não por quem contratou), treinamento curto no momento da virada e um dono nomeado do lado do cliente.
Este par de números resume o estágio do mercado brasileiro melhor que qualquer outro deste radar. O problema das empresas já não é adotar Power Platform — ela chegou junto com o Microsoft 365 e alguém já construiu alguma coisa. O problema é que cresceu sem regra: aplicativo sem dono, fluxo rodando na conta de quem saiu da empresa, conector liberado para qualquer destino.
Na prática, boa parte do trabalho de consultoria hoje não começa numa tela em branco. Começa inventariando o que já existe, descobrindo quem é dono do quê e decidindo o que vale manter. E é também por isso que projeto de Copilot costuma esbarrar em permissão antes de esbarrar em IA.
Jornalista, analista ou pesquisador querendo o recorte por setor ou por porte: escreva para lucas.simoes@platformpro.com.br.
Se a Power Platform já está rodando na sua empresa e ninguém sabe ao certo quantos aplicativos e fluxos existem, quem é dono de cada um ou o que acontece quando um deles falha, o diagnóstico começa exatamente aí — e é gratuito.
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